← Mundo
Mundo

'A gente vai de arrasta': o pavor das amigas presas no Cristo Redentor

'A gente vai de arrasta': o pavor das amigas presas no Cristo Redentor na ventania Crédito, Reuters Article Information Author, Rute Pina Role, Da BBC News Brasil em São

'A gente vai de arrasta': o pavor das amigas presas no Cristo Redentor na
'A gente vai de arrasta': o pavor das amigas presas no Cristo Redentor na ventania
Posto de combustíveis destruído pelo temporal no Rio de Janeiro

Crédito, Reuters

Article Information
    • Author, Rute Pina
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Published Há 3 horas
  • Tempo de leitura: 4 min

"Eu nunca vi nada igual."

Leia no AINotícia: Japão: Shopping destruído danificado há 10 anos

É assim que a baiana Hannielly Lopes, 23 anos, descreveu a ventania que atingiu a região Sudeste na tarde de quarta-feira (29/7).

Ela e duas amigas saíram de Irecê, no interior da Bahia, para passar as férias no Rio de Janeiro. Elas visitavam um dos principais cartões-postais da cidade, o Cristo Redentor, quando foram surpreendidas por uma rajada de vento intensa, por volta das 16h.

"Eu falei: 'Meu Deus do céu, vamos nos abraçar e agarrar nessa grade porque senão a gente vai de arrasta'", diz, referindo-se à possibilidade de risco de morte. Leia também: As possíveis consequências do vídeo de Jair Bolsonaro feito com IA na convenção

As fortes rajadas entre São Paulo e o Rio de Janeiro provocaram cinco mortes, apagões, quedas de árvores e interrupções em serviços essenciais.

Na capital fluminense, as rajadas chegaram a aproximadamente 100 km/h. O Aeroporto Santos Dumont chegou a suspender pousos e decolagens durante o período de maior intensidade dos ventos.

No início, o grupo acreditou que se tratava apenas de um vento forte. "Tanto que a gente fez vídeo. Depois a gente percebeu toda aquela ventania, desceu correndo e foi procurar abrigo", conta Ingrid Silva, de 22 anos.

Mas a situação piorou rapidamente.

"A gente estava rindo muito, sem parar, aquele riso de desespero mesmo. Mas foi um momento de tensão. A gente não tinha noção da gravidade do que estava acontecendo", acrescenta Hannielly. Mais de mundo

Hannielly, Ingrid e Naize no Cristo Redentor

Crédito, Hannielly Lopes

Legenda da foto, Amigas visitavam o Cristo Redentor quando foram surpreendidas pelos fortes ventos

Segundo meteorologistas, o fenômeno foi uma frente de rajada e foi consequência do grande contraste entre duas massas de ar com características muito diferentes.

O Sudeste enfrentava um período de calor e tempo seco quando uma frente fria começou a avançar pelo Sul do país. Associado a esse sistema, um volume de ar mais frio e úmido seguia em direção à região.

O intenso contraste térmico entre o ar muito quente e seco que predominava, tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro, com o ar frio e úmido trazido pela frente fria acelerou o ar, causando ventos muito fortes.

Naize Kessy, 22 anos, conta que o medo foi tão grande que chegou a mandar uma mensagem de despedida para a família.

"Nunca tinha visto algo desse jeito. Foi muito forte. Acho que também por causa da altitude, porque a gente estava em um local muito alto e acabou sentindo mais esse impacto", afirma. O Cristo Redentor está a 709 metros acima do nível do mar.

Hannielly, Ingrid e Naize em um abrigo
Legenda da foto, Quando perceberam o perigo da rajada de vento, elas procuraram abrigo
As possíveis consequências do vídeo de Jair Bolsonaro feito com IA na convenção
Mundo

As possíveis consequências do vídeo de Jair Bolsonaro feito com IA na convenção

Ler matéria →

Leia também