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Ler matéria →A família brasileira que encontrou segurança no Marrocos: 'Aqui não temos medo'

Crédito, Edison Veiga
- Author, Edison Veiga
- Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
- Published Há 52 minutos
- Tempo de leitura: 6 min
Abrir o vidro do carro no meio de uma muvuca, conversar com um desconhecido, um vendedor ambulante— e comprar dele framboesas. Então, ouvir de um sujeito que percebeu estar diante de uma brasileira: "Viva Neymar".
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Na manhã do dia 20 de maio, a química Teresa Cristina Fonseca da Silva, de 44 anos, teve essa interação ao sair do estacionamento do supermercado onde costuma fazer compras, em Marraquexe, no Marrocos. Uma experiência corriqueira, mas que para ela é carregada de significados.
Quando se mudou para o Marrocos no fim de 2019 com o marido, o engenheiro agrônomo Leonardus Vergutz, e os filhos Davi e Gustavo, a oportunidade internacional se revestia do sonho de ter uma vida em ambiente seguro, longe da violência urbana que se tornou parte da paisagem das cidades brasileiras.
No Brasil, ambos eram professores universitários. Vergutz, na Universidade Federal de Viçosa, e Silva, na Estadual de Minas Gerais. Leia também: O que você precisa saber sobre Marrocos, primeiro adversário do Brasil
Moravam em Viçosa, cidade de menos de 80 mil habitantes a 230 quilômetros da capital do estado, Belo Horizonte. E buscavam superar um trauma: quando eles se preparavam para um passeio com o filho mais velho, então com 3 anos de idade e já instalado na cadeirinha do carro, Vergutz foi surpreendido por um homem armado que exigiu a chave do veículo imediatamente.
"Foi aquele nervoso de tirar o menino. Uma situação bem traumática", recorda ela. A partir daquele momento, os dois começaram a buscar oportunidades para, no mínimo, viver um período sabático fora do país.
A oportunidade veio no segundo semestre de 2019. Especializado em fertilizantes, Vergutz conseguiu uma cadeira de professor e pesquisador na Universidade Politécnica Mohammed VI, a UM6P— instituição privada marroquina criada e mantida pelo Grupo OCP, o Office Chérifien des Phosphates, gigante empresa de fosfatos do país.
A companhia é a maior produtora e exportadora global de fosfato e fertilizantes fosfatados e detém mais da metade das reservas mundiais da rocha— e o agronegócio brasileiro está entre os principais clientes da companhia.
O que era para ser um sabático de um ou dois anos, acabou se tornando uma experiência mais longeva para a família Silva-Vergutz. Mais de mundo
Na noite do sábado, 13 de junho, quando a Seleção Brasileira estreia na Copa do Mundo de 2026 contra o time de Marrocos, Teresa, Leonardus, Davi e Gustavo devem estar com a camisa amarelinha na frente da TV.
Durante os 90 minutos de jogo, o coração deles não estará em Marraquexe— mas no Brasil, país para onde eles embarcarão uma semana depois para as férias do meio do ano.
Não foi amor à primeira vista
"Estou 100% adaptada hoje ao Marrocos. Não foi um país que me conquistou num primeiro momento. Mas eu aprendi a gostar", diz Silva.
Ela admite que no começo achava tudo "muito feio", "muito pobre", "tudo marrom, cor de terra, deserto". "Foi muito difícil", afirma.
Mas a lembrança do medo que sentiu quando a família foi vítima do assalto a mão armada, e momentos como o do vendedor de framboesa, dão a ela uma sensação de alívio.
"Sinto que conquistei essa segurança", comenta.

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