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A criatividade que ajuda os brasileiros a reconhecer onças do Pantanal

Figurinhas do Pantanal: ONG usa criatividade para ajudar brasileiros a reconhecerem onças-pintadas do bioma Brincadeira nas redes sociais transformou felinos em

A criatividade que ajuda os brasileiros a reconhecer onças do Pantanal
Figurinhas do Pantanal: ONG usa criatividade para ajudar brasileiros a reconhecerem onças-pintadas do bioma

Brincadeira nas redes sociais transformou felinos em “colecionáveis” e despertou interesse pela conservação da espécie.


  • O Projeto Jaguar ID transformou onças-pintadas do Pantanal em figurinhas digitais nas redes sociais para ensinar o público a identificar os animais individualmente.

  • A iniciativa foi criada pela organização de conservação no Pantanal mato-grossense, que já catalogou centenas de felinos com ajuda de turistas e guias.

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  • Segundo o biólogo João Roberto Campos Rodrigues, a estratégia de divulgação científica usa personagens para aproximar o público da conservação ambiental. Leia também: Mila Kunis e Ashton Kutcher: Primeiro beijo foi no set; hoje casados

Onça ‘Ousado’ bebendo água.— Foto: Ailton Lara

Quem nunca tentou completar um álbum de figurinhas? Foi apostando nessa paixão popular que uma publicação nas redes sociais chamou a atenção das pessoas ao transformar onças-pintadas do Pantanal em figurinhas. A proposta, além de divertida, tinha um objetivo maior: mostrar que cada onça é única.

A iniciativa foi criada pelo Projeto Jaguar ID, organização dedicada ao estudo e à conservação das onças-pintadas no Pantanal. O resultado surpreendeu até os pesquisadores. Nos comentários, internautas passaram a comparar manchas, identificar indivíduos e discutir as diferenças entre os animais.

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Muito além das pintas

Para João Roberto Campos Rodrigues, biólogo e vice-presidente do projeto, a repercussão mostrou que o público conseguiu enxergar algo que costuma passar despercebido.

“Muitas pessoas não enxergam as diferenças individuais das onças. Acho que essa brincadeira ajudou elas a perceberem minimamente como cada uma é diferente da outra. Pelos comentários, deu para ver que muita gente realmente se envolveu tentando identificá-las”, explica.

O trabalho de identificação é justamente uma das bases do Jaguar ID. Por meio de registros fotográficos e da participação de turistas, guias e pesquisadores, o projeto já catalogou centenas de onças-pintadas que vivem na região de Porto Jofre, no Pantanal mato-grossense. Leia também: Eleições na Colômbia ganha destaque após novo desdobramento em candidato

Quando a ciência encontra as redes sociais

Em tempos de vídeos rápidos e conteúdos virais, iniciativas criativas têm se tornado aliadas importantes da divulgação científica. Segundo João Roberto, esse tipo de estratégia pode aproximar a conservação da natureza de públicos que normalmente não acompanham pesquisas ambientais.

“Grande parte da conservação começa pela divulgação científica. Iniciativas divertidas e oportunas como essa ajudam projetos de conservação a atingir públicos diferentes. O que queremos é conseguir levar a mensagem de preservação e conservação para todos os cidadãos”, afirma.

A estratégia parece funcionar porque troca números e relatórios por histórias e personagens. Em vez de apenas falar sobre a espécie, o público passa a conhecer indivíduos específicos, cada um com suas características próprias.

Da identificação à empatia

Para o biólogo, o maior impacto acontece quando as pessoas criam uma conexão emocional com os animais.

“As figurinhas trazem um vislumbre dos diversos indivíduos de onças-pintadas que vivem no Pantanal. As pessoas acabam se afeiçoando por elas. Como consequência, acredito que isso desperta uma empatia para proteger as onças e o ambiente onde elas vivem”, destaca João Roberto.
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