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A brasileira que teme ser expulsa do Reino Unido após anos cuidando de idosos

Legenda da foto, Joana cuidando de um de seus pacientes, de 104 anos Article Information Author, Giulia Granchi Role, BBC News Brasil Published 16 junho 2026, 16:26 -03

A brasileira que teme ser expulsa do Reino Unido após anos cuidando de idosos
Joana cuidando de um de seus pacientes, de 104 anos
Legenda da foto, Joana cuidando de um de seus pacientes, de 104 anos
Article Information
    • Author, Giulia Granchi
    • Role, BBC News Brasil
  • Published 16 junho 2026, 16:26 -03
    Atualizado Há 4 horas
  • Tempo de leitura: 13 min

"Eu me mudei para o Reino Unido em julho de 2022, trazendo algumas malas de 23 quilos e muitos sonhos e muita vontade de fazer funcionar. Em momento nenhum passou na cabeça que seria uma coisa temporária. Até porque migrar exige muita bravura e muita perseverança."

Joana Curvelo planejou com cuidado a mudança para a região inglesa onde a mãe, hoje com 71 anos, e esposa de um britânico também mora, legalmente.

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Brasileira de 40 anos, moradora de Bedford, cidade a uma hora de Londres, ela trabalha como cuidadora de idosos e há quase quatro anos cuida de pessoas que dependem dela para atividades básicas, como administrar remédios, preparar refeições e checar se estão bem.

Ela diz que a mudança fazia parte de um plano antigo da família. "Desde pequena eu sempre disse à minha mãe: 'eu vou morar fora'", conta. "E eu sinto que a Inglaterra é minha casa. Eu amo tudo sobre esse país."

Mas agora, diante das discussões sobre mudanças nas regras de imigração no país, ela não sabe se vai poder ficar. Leia também: Por que é improvável que brasileiro preso pelo governo Trump seja chefe do PCC

Joana se emociona ao falar sobre a possibilidade de não conseguir ficar na Inglaterra

Crédito, João da Mata/BBC News Brasil

Legenda da foto, Joana se emociona ao falar sobre a possibilidade de não conseguir ficar na Inglaterra

Mudança nas regras pode afetar caminho para residência permanente

Em novembro de 2025, o governo britânico publicou um documento chamado A Fairer Pathway to Settlement— "Um Caminho Mais Justo para a Permanência", em tradução livre— propondo uma revisão profunda das regras de imigração no país.

O ponto mais polêmico: ampliar o prazo mínimo para que um imigrante possa pedir a residência permanente, conhecida como a ILR (Indefinite Leave to Remain).

Com ele, a pessoa deixa de depender de vistos temporários e pode trabalhar em qualquer setor, mudar de emprego livremente e iniciar o processo de cidadania.

A proposta do governo é aumentar esse prazo para dez anos em geral— e para quinze anos para trabalhadores de setores considerados de qualificação média ou baixa. Entre eles: os chamados care workers, como os cuidadores de idosos.

Joana, que chegou em julho de 2022, antes de um visto específico para cuidadores ser criado, poderia pedir o ILR em julho de 2027— daqui a pouco mais de um ano. Leia também: STF condena Eduardo Bolsonaro por articular ações do governo Trump

Mas se a proposta for aprovada, esse prazo poderá ser estendido até 2032, e ela dependeria de um visto de trabalho temporário para permanecer no Reino Unido.

"Eu jamais imaginaria que um dos problemas que eu enfrentaria seria ter aplicado para um visto, sabendo que eu teria certas regras a cumprir, e no meio do meu processo receber a ingrata surpresa de que as regras podem mudar", diz ela.

"Eu definitivamente não acho justo. Não acho certo. Você não pode mudar a regra do jogo no meio do jogo."

Como funciona o visto — e o que ele permite (ou não permite)

Para entender a situação de Joana, é preciso entender como o sistema de vistos de trabalho britânico funciona na prática.

Joana veio ao Reino Unido com o Skilled Worker Visa— o visto de trabalho qualificado, principal porta de entrada legal para trabalhadores estrangeiros no país. Como todo visto dessa categoria, ele tem uma característica central: está vinculado ao empregador.

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