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A acirrada disputa sobre as causas do acidente da Air India que matou mais

Crédito, Reuters Legenda da foto, A parte traseira do Boeing 787 Dreamliner da Air India após sua queda, em Ahmedabad, no oeste da Índia Article Information Author, Theo

A acirrada disputa sobre as causas do acidente da Air India que matou mais de
Foto mostra a parte traseira de um avião Boeing 787 Dreamliner da Air India após sua queda, em Ahmedabad

Crédito, Reuters

Legenda da foto, A parte traseira do Boeing 787 Dreamliner da Air India após sua queda, em Ahmedabad, no oeste da Índia
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    • Author, Theo Leggett
    • Role, Correspondente de Negócios Internacionais, BBC News
  • Published Há 10 minutos
  • Tempo de leitura: 12 min

A bordo, 230 passageiros se acomodavam para uma viagem de nove horas e meia até Londres. Dentre os 230, 169 eram cidadãos indianos e 53, britânicos. Dez tripulantes de cabine trabalhavam na aeronave.

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Na cabine de comando, estavam o comandante Sumeet Sabharwal, um piloto com décadas de experiência, e seu colega mais jovem, o copiloto Clive Kunder. Apenas 32 segundos após a decolagem, o avião caiu, matando todos os que estavam a bordo, exceto uma pessoa. Outras 19 pessoas que estavam em terra também morreram.

Imagens de câmeras de segurança do aeroporto e um vídeo publicado nas redes sociais mostram a aeronave decolando de forma aparentemente normal. Mas, em vez de ganhar altitude, ela parece ficar suspensa no ar antes de descer suavemente.

O avião desaparece atrás de prédios e árvores. Segundos depois, surge uma enorme nuvem de fogo e fumaça preta, e a dimensão do desastre fica evidente. As imagens, no entanto, não deixam claro o que de fato causou a queda. Leia também: 'A Copa não é para nós': os torcedores que desistiram após serem barrados

O único sobrevivente da queda do avião da Air India, Vishwash Kumar Ramesh

Crédito, PA Media

Legenda da foto, A queda matou todos os que estavam a bordo, exceto Vishwash Kumar Ramesh

Descobrir por que tantas pessoas morreram na queda do voo 171 da Air India é tarefa do Escritório de Investigação de Acidentes Aéreos da Índia (AAIB), órgão ligado ao Ministério da Aviação Civil do país. Segundo o direito internacional, conforme estabelecido no Anexo 13 da Convenção sobre Aviação Civil Internacional, o país onde ocorre um acidente é diretamente responsável pela investigação oficial.

Outras partes, incluindo o país onde a aeronave ou seus motores foram fabricados, também podem participar ativamente como "representantes credenciados". No caso do voo AI171, isso significa o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês). O NTSB enviou uma delegação que incluía especialistas técnicos da Boeing, fabricante do avião, da GE Aerospace, que produziu os motores, e da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês), órgão regulador da aviação no país.

De acordo com o Anexo 13, "o único objetivo da investigação de um acidente ou incidente deve ser a prevenção de acidentes ou incidentes. O objetivo dessa atividade não é atribuir culpa ou responsabilidade".

Ainda assim, há muito em jogo. Mais de mundo

Para a Boeing, empresa já abalada por anos de escândalos de segurança, está em questão a integridade de um de seus produtos premium: o 787 Dreamliner, aeronave que até então tinha um histórico de segurança impecável. A Air India, companhia aérea deficitária pertencente ao grupo Tata, dificilmente pode se dar ao luxo de ver a sua marca manchada. Já as famílias das vítimas querem saber o que realmente aconteceu com seus parentes.

As conclusões finais da investigação ainda não foram publicadas, embora mais detalhes possam surgir nos próximos dias. Mas o caso já gerou intensa controvérsia e expôs questões mais profundas sobre a forma como são conduzidas as investigações de grandes acidentes aéreos. Afinal, é possível confiar que autoridades nacionais conduzam investigações que, segundo críticos, estão sujeitas à percepção de pressão política e influência corporativa?

A reação à investigação

Em tese, a investigação deveria ser imparcial e informativa, um processo de descoberta voltado exclusivamente a melhorar a segurança dos passageiros. Mas, no caso do voo AI171, as informações reveladas até agora provocaram forte reação de defensores da segurança aérea, grupos de pilotos e advogados que representam familiares das vítimas.

Um fator central foi o relatório preliminar divulgado pela AAIB um mês após o acidente. O documento de 15 páginas não chegou a conclusões sobre as causas da queda nem fez recomendações.

Ainda assim, dois parágrafos curtos geraram grande controvérsia.

Primeiro, o relatório observou que, segundo o gravador de dados de voo da aeronave, os dois interruptores de corte de combustível, normalmente usados para acionar os motores antes de um voo e desligá-los depois, passaram da posição de funcionamento para a posição de corte segundos após a decolagem. Isso teria privado os motores de combustível, fazendo-os perder potência rapidamente.

A cauda da aeronave aparece atravessando a lateral de um prédio
Legenda da foto, Defensores da segurança aérea na Índia e nos Estados Unidos contestaram veementemente a teoria de suicídio do piloto

Teorias concorrentes

Uma mulher acende uma vela ao lado de fileiras de outras velas
Legenda da foto, Advogados das famílias das vítimas focaram no momento em que um sistema de energia de emergência começou a funcionar

Controvérsia e ceticismo

Um bombeiro fica ao lado dos destroços do Boeing 787-8 Dreamliner da Air India
Legenda da foto, O voo 171 da Air India caiu menos de um minuto depois de decolar do aeroporto de Ahmedabad
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