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45% dos brasileiros afirmam ter buscado renda alternativa nos últimos meses, segundo Datafolha

Maeli Prado Júlia Moura São Paulo Dois em cada três brasileiros dizem ter dívidas financeiras, como empréstimos, segundo pesquisa Datafolha

45% dos brasileiros afirmam ter buscado renda alternativa nos últimos meses, segundo Datafolha
Maeli Prado Júlia Moura
São Paulo

Dois em cada três brasileiros dizem ter dívidas financeiras, como empréstimos, segundo pesquisa Datafolha.

Os dados também mostram que um a cada cinco brasileiros (21%) diz estar com dívidas financeiras atrasadas. Entre quem pegou dinheiro emprestado de amigos e familiares, 41% estão devendo. A inadimplência no cartão de crédito parcelado foi citada por 29% de quem tem essa dívida, seguida por empréstimos em banco (26%) e carnês de lojas (25%).

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Dos entrevistados, 27% disseram que utilizam o crédito rotativo com diferentes graus de frequência. O rotativo é uma modalidade de crédito acionada automaticamente quando se paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão, parcelando o restante com juros. Os que afirmam fazer isso com alta frequência somam 5% e os que usam o rotativo às vezes ou raramente são 22%.

O rotativo é a linha mais cara do mercado, com juros mensais de 14,9% em média, segundo dados do Banco Central, limitados a uma cobrança de juro anual de 100%. Desde 2024, está em vigor a norma que limita a dívida no cartão de crédito ao dobro do montante original.

"A inclusão financeira dos últimos anos e o aumento dos juros bancários acabaram elevando muito o comprometimento de renda e a própria inadimplência", afirma Isabela Tavares, economista da Tendências Consultoria. Leia também: Zelensky: sanções globais devem ser ampliadas para atingir o setor nuclear russo

O levantamento investigou ainda a inadimplência em contas de consumo e serviços. Entre os ouvidos, 28% afirmam que estão em atraso com elas. Os tipos de contas em atraso mais citados são de telefone/celular/internet (12% dos inadimplentes), IPTU, IPVA e carnê-leão (12%), luz (11%) e água (9%).

O tema do endividamento entrou na campanha eleitoral deste ano, e o governo Lula tem feito uma série de anúncios de medidas sobre o assunto, incluindo um programa de renegociação de dívidas e saques extraordinários do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

O Datafolha entrevistou 2.002 pessoas de 16 anos ou mais em 117 municípios do Brasil nos dias 8 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima e para baixo, dentro do nível de confiança de 95%.

A pesquisa também mostra que os brasileiros se sentem apertados financeiramente. O Datafolha calculou um índice de aperto financeiro ao pedir para os entrevistados apontarem oito diferentes tipos de restrição no orçamento nos últimos meses, como reduções de consumo, falta de pagamento de dívidas e mudanças de hábitos.

Dependendo da quantidade de diferentes tipos de contenção de gastos, os ouvidos foram classificados em diferentes índices de situação financeira: severa (sete ou oito itens com restrições), apertada (cinco ou seis), moderada (dois, três ou quatro itens) e isentos ou leves (nenhum ou um item assinalado). Mais de economia

A conclusão foi que 27% vivem em situação financeira apertada e 18% em condições severas, somando 45%. Já os que se enquadram na categoria moderada representam 36% do total, e aqueles classificados como isentos ou leves somam 19%.

Para enfrentar essa situação, 64% dos entrevistados disseram que cortaram gastos com lazer, 60% reduziram a quantidade de vezes que comem fora de casa, 60% trocaram marcas por outras mais baratas e 52% contaram ter reduzido a quantidade de alimentos comprados.

Além disso, 50% afirmam que reduziram o consumo de água, luz e gás, 40% deixaram de pagar alguma conta, 38% deixaram de pagar dívidas e 38% reduziram a compra de remédios. Leia também: Neymar falta a treino por virose um dia após ser flagrado em boteco em Santos

Quando questionados de forma espontânea sobre o seu principal problema pessoal hoje, os brasileiros apontam aspectos financeiros, o que inclui falta de dinheiro/renda, endividamento, custo de vida, salário baixo e previdência como as principais preocupações (somando 37% dos ouvidos).

Dentro desse conjunto, a resposta mais frequente foi "questões financeiras/falta de dinheiro/renda", indicada por 27% dos entrevistados, seguida por "endividamento (empréstimos, contas, aluguel)", com 5%, e "custo de vida/inflação/impostos", com 2%.

Os demais temas mais citados foram saúde (18%), questões relacionadas ao trabalho (8%) e relacionamentos familiares e pessoais (5%), além de falta de tempo e frustração pessoal (3%) e problemas sociais do país (2%), entre outros. A parcela dos que dizem não ter problemas é de 14%.

De acordo com o Datafolha, 57% dos brasileiros afirmam usar cartão de crédito. Nesse universo, 13% dizem parcelar compras do supermercado no crédito sempre ou frequentemente, e 4% o fazem com contas de água e luz.

O hábito de pagar a fatura de um cartão com o limite de outro sempre ou frequentemente foi apontado por 5% dos usuários de cartão, e 10% o fazem às vezes.

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