As dúvidas que pairam sobre o mais cotado para substituir Keir Starmer
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- Author, Paula Rosas
- Role, BBC News Mundo
- Published Há 26 minutos
- Tempo de leitura: 12 min
Há exatamente dez anos, um terremoto político, econômico e social abalou o Reino Unido quando uma pequena maioria dos eleitores decidiu que o país deveria deixar a União Europeia, sob a promessa de um futuro melhor fora do bloco de países.
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Muitos dos que votaram a favor do Brexit (apelido dado a essa saída) no referendo buscavam maior autonomia para tomar decisões políticas, comerciais e econômicas sem a interferência da União Europeia. Também esperavam reduzir a imigração e ampliar o peso do Reino Unido no cenário geopolítico internacional.
Uma década depois, a União Europeia já não influencia diretamente as decisões britânicas. Mas muitas das consequências desse rompimento estão longe daquilo que os defensores do Brexit prometeram aos eleitores britânicos.
O número 10 de Downing Street (residência e escritório do primeiro-ministro britânico) viu passar seis primeiros-ministros ao longo desses dez anos e se prepara para receber o sétimo ainda neste verão, após o anúncio da renúncia de Keir Starmer na segunda-feira (22/6), uma situação incomum na política britânica das últimas décadas. Leia também: As dúvidas que pairam sobre o mais cotado para substituir Keir Starmer
A saída do maior mercado comum do mundo, a União Europeia, também trouxe consequências significativas para a economia e o comércio do Reino Unido. E, ao contrário do que prometiam alguns defensores do Brexit, não reduziu os fluxos migratórios. Pelo contrário: eles aumentaram e mudaram profundamente de perfil.
Hoje, muitos dos que votaram pelo Brexit há dez anos se arrependem da decisão. Entre aqueles que não puderam votar, por ainda serem menores de idade, mas que convivem com as consequências do Brexit, o desejo de retornar ao bloco é amplamente majoritário, segundo pesquisas de opinião.
Os últimos dez anos foram marcados por fortes turbulências em todo o mundo. A pandemia e a guerra na Ucrânia afetaram as economias globais, e não apenas a britânica. A fragmentação política e a ascensão do populismo também não são fenômenos exclusivos do Reino Unido, mas tendências observadas em diversos países.
Mas especialistas alertam que, no caso britânico, o Brexit intensificou os efeitos negativos dessas transformações globais.
A seguir, quatro grandes mudanças no país nesses últimos 10 anos: Mais de mundo

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1. Instabilidade política
Durante décadas, o Reino Unido foi visto como um exemplo de previsibilidade e estabilidade. Conservadores e trabalhistas se alternavam no poder em um sistema marcado pelo bipartidarismo e por poucos sobressaltos políticos.
Os eleitores de classe média alta tendiam a apoiar o Partido Conservador, enquanto os trabalhadores costumavam votar no Partido Trabalhista. O Brexit rompeu essa lógica ao introduzir uma nova divisão no eleitorado: sair ou permanecer na União Europeia. Leia também: Operação da PF contra fraudes no sistema financeiro bloqueia bens ligados

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"O Brexit foi tóxico para a política britânica", afirmou Jun Du, diretora do Instituto de Produtividade do Reino Unido, à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Para a economista, a saída da União Europeia aprofundou divisões que já existiam antes do referendo e "trouxe mais instabilidade, mais polarização política e mais divisões na economia e na sociedade, com um impacto profundo, persistente e estrutural".
2. Avanço da direita anti-imigração

3. Aumento da imigração (na contramão do que prometiam os defensores do Brexit)

4. Forte impacto sobre a economia e o comércio

Retorno à União Europeia?

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